Filme Marie Curie – Radioactive

Estreou no dia 15 de abril, no dia da Proteção Radiológica, o filme Radioactive, na Netflix.

O filme conta a história da Marie Curie e suas descobertas que mudaram o mundo. O filme aborda também a luta contra o machismo.

Marie Curie foi a primeira mulher a receber um prêmio Nobel – o de física, juntamente com o marido, Pierre Curie, e a primeira pessoa – e até agora a única mulher – a receber um segundo prêmio Nobel – em Química.

 

https://www.instagram.com/p/CNqfLQuLahG/

Desenvolvimento da trama

O filme Radioactive começa com Marie já adulta, mas ainda solteira. Uma cientista enfrentando dificuldades para conseguir apoio e financiamento para suas pesquisas por ser mulher.

Ao conhecer Pierre Curie, surpreende-se por já conhecerem o trabalho mútuo e, mesmo com certa desconfiança inicial, se sente lisonjeada pela atenção e por como Pierre enxerga o potencial de seu trabalho, bem como dispõe-se a ajudá-la.

Aliás, o trabalho conjunto acaba levando ao relacionamento dos dois, que resulta no casamento e, posteriormente, em duas filhas. Na área da pesquisa, o sucesso veio com a Teoria da Radioatividade (daí o Radioactive do título, termo, aliás, criado por ela), assim como a descoberta de 2 elementos químicos: o Polônio (nomeado em homenagem a sua terra natal, a Polônia) e o Rádio.

 

Infelizmente, os efeitos nocivos da radiação só seriam descobertos depois, aos poucos, com a observação de casos que iam surgindo. Lidar com elementos radioativos sem precauções cobraria seu preço.

Em Radioactive, Marie Curie dormia com uma ampola contendo material radioativo florescente na mão. Curiosamente, Pierre foi quem apresentou os primeiros sintomas e adoecer.

Ele havia se tornado professor na Sourbone, dado resultado do trabalho científico capitaneado por Marie, em um acidente rodoviário, que, de acordo com o filme, teria sido desencadeado por um ataque devido aos problemas de saúde.

Depois disso, Marie é retratada como alguém sem rumo, mesmo passando a ocupar o seu lugar como professora de Física Geral na Faculdade de Ciências, sendo a primeira mulher a ocupar este cargo.

E a história segue, mostrando um relacionamento temporário com um colega cientista casado, o que a fez enfrentar de frente a execração da sociedade, a continuidade de seu trabalho até chegar a sua atuação na 1ª Guerra Mundial, quando, a pedido de sua filha já adulta e também pesquisadora (e futura ganhadora também de um Nobel com seu marido), desenvolveu e operou unidades móveis de radiografia.

 

Pioneirismo de Marie Curie

O filme Radioactive dá bastante ênfase ao pioneirismo e principalmente à faceta libertária em sua luta contra o machismo que imperava no meio científico e, em certa altura, também à “moralidade” social estabelecida.

Ao longo da história, alguns cortes são feitos, para momentos futuros mostrando utilizações práticas das descobertas de Marie Curie, de forma positiva como a radioterapia, a negativa, como a bomba de Hiroshima, o acidente de Chernobil e testes nucleares.

Tais cortes culminam numa sequência que traz uma espécie de licença poética, onde Marie Curie deslumbra os resultados do mau uso de suas descobertas. Desde o marido, por quem se sentia culpada quanto a ter ficado enfermo (e nesse contexto há uma certa lógica), até várias vítimas do bombardeio a Hiroshima, bem como do acidente de Chernobil, que não fazem absolutamente sentido em relação ao enredo.

Se a ideia foi fazer uma espécie de alerta ou manifesto, poderiam ter utilizado um meio mais atrelado ao próprio enredo.

No mais, Radioactive é um bom filme. Não chega a ser uma obra-prima, mas vale pelo enredo e a forma que consegue humanizar, mas ainda assim, manter a grandeza de Marie Curie.

Além disso, vale também pela história do desenvolvimento científico mostrado, de forma que consegue prender a atenção daquele jeito que nos deixa com uma ligeira sensação de “já?” quando chega ao final. Então, aproveitem.

 

Fonte: https://www.ultraverso.com.br/